divagações concretas concretudes abstratas

e um copo vazio está
cheio de ar

16.5.13

23.4.13

imagina na copa
começou piada
depois virou
cult
virou burburinho
ficou in
imagina na copa bombou
virou comercial
pra passar a mensagem
vamos juntos vamos pra frente brasil salve a seleção
imagina na copa agora aquietou
ficou sumido
e o tempo foi passando
e o ano apertando
e
imagina na copa voltando
devagarinho
e o tempo continuou passando
imagina na copa acordando
empreiteras rindo a toa
imagina na copa de novo virou hit
de novo outra vez agora
prefeito e cabral perdendo cabelos ganhando rugas
dinheiro poder ditadura da porra!
a cidade virou LTDA. marca registrada. com placa de vende-se no portão velho de madeira
superfaturadas obras. superfaturadas falhas.super fraturados, nós
imagina na copa ganha força de novo.
 os nãopachequistas continuam ranzinzas
por que o bem comum é laico
ou pelo menos deveria
ser.
imagina na copa.


19.3.13

classe ficados 


Preciso de uma atriz com drt na faixa de 55 anos, 
que possa chorar muito em gravação de enterro. 
Amanhã as 5 h na portaria 4 do Projac. 
contatos urgente com fotos
 cachê R$ 70,00.

18.3.13

classe ficados

Precisamos de galera linda, 
moderna, 
cabelos diferentes, 
tatuadas para gravar a novel., 
quarta-feira dia 20\03 as 
5:00 h da manhã no Projac.
Disponíveis enviar

25.1.13

o dia que vi um alce na rua


era carnaval, todo mundo fantasiado.
mas aquele alce, eu sabia, aquilo não era fantasia.
fui atrás dele numa das ruas do centro. tudo bem, eu tava bêbado mas
era um alce. de chifre e tudo. eu tinha certeza que era um alce no meio da praça XV. ele parecia estar indo embora. cansado da folia, sei lá
entrou no onibus, fui atras dele. só eu mesmo pra entrar num ônibus atrás de um alce. me intrigava aquele alce na rua. e ninguém falava nada, todo mundo agindo normalmente.
ah, é carnaval, todo mundo tira a fantasia. cheguei perto dele. e ele tinha pelos , chifres, dentes enormes
usava um óculos redondo de leitura e chapéu coco.  lia o valor economico, o alce.
deixei cair o meu celular e de leve encostei na pata dele. tinha pelos. e casco. era um alce, tive certeza!
senti os pelos, fiquei com um pouco de nojo mas resolvi puxar assunto:
- olá.
- olá -  respondeu o alce com voz rouca e grave. lembrou um locutor da rádio globo que eu ouvia nos programas de madrugada.
- bonita fantasia. - comecei.
- ah, obrigado. a sua também é ótima. é uma girafa né?
- é. a cabeça. o senhor ta indo pra casa? não curte carnaval?
- curto carnaval, claro. curto muito. e você, também ja ta indo embora?
- não, eu entrei no ônibus por causa de você.
o alce ficou me olhando com uma cara bem estranha. ele pensou que eu tava cantando ele, imagina.
- por causa de mim? - falou com um levantar de sobrancelhas
- é. eu sei de tudo.
- sabe?
- sei. de tudo.
- tudo o que?
- a sua fantasia.
- que que tem?
- essa fantasia
- não é fantasia, eu sou um alce.
- alce?
- é um alce. algum problema? nunca viu um alce? nós, alces, vivemos misturados a vocês. com identidades falsas. disfarçados.  nos dias de carnaval podemos sair as ruas tranquilos. é a melhor época do ano. Não temos de nos fantasiar de vocês. Podemos ser quem somos de verdade. um alce. e não é isso que é essa festa, o carnaval?
- eu sabia!
fiquei bem chocado, mas tava no fundo achando que tudo era uma invenção das cervejas que eu já tinha bebido no bloco.
- e aí? o que você vai fazer? - ele perguntou meio grosseirão
eu não soube o que dizer. ia gritar: socorro, tem um alce aqui no ônibus conversando comigo??!!!
é, talvez mas ninguém ia acreditar em mim e ainda iam me mandar calar a boca. resolvi:
- é...não, beleza. vou descer então que vou voltar pro bloco.
- ok.
- posso tirar uma foto sua? ninguém vai acreditar quando...
- não, claro que não. não pode.
- mas é que.
meu amigo, quando eu falei isso ele deu uma porrada com a pata, com o casco sei lá, no chão do ônibus que tremeu tudo. todo mundo olhou pra trás. pra mim. ficaram me olhando. o alce levantou o jornal e voltou a ler escondendo o rosto, deixando só o chifre a mostra.
- beleza então. vou lá.
- vai pela sombra. - ele ainda me sacaneou, o chifrudo
desci do ônibus pensando.
- caralho, ninguém vai acreditar. foda-se. depois eu escrevo e jogo no face.
tava voltando pro bloco, um sol do caramba, pensando naquele alce. nessa sociedade secreta que vive entre a gente. que coisa louca. esquece isso. eu to é muito louco. vou voltar pro ataque. olhei pro lado pra comprar uma cerveja, vi uma menina estranha de óculos me olhando. meio que esquivando. me olhando de longe. por entre as pessoas. meio  que se escondendo. ela tava com um jornal na mão e fumava cachimbo.
- oi. tudo bem? - perguntei pra ela.
- oi, tudo. queria falar com você - ela falou isso baixinho no meu ouvindo como se fosse um segredo muito íntimo. Opa!
- claro, pode falar lindinha...
-  você também é uma girafa?
- sou. girafa. gostou da cabeça da girafa?…
- espera. eu também sou.
- o que?
- girafa - baixinho de novo no meu ouvido.
- oi? - quando a ficha caiu
- eu não consegui me transformar. tô disfarçada de humano, me ajuda!
quero voltar ao normal! me ajuda.

(pano)





27.12.12

sonhar 
é preciso
ter os pés fortes no chão
o desejo trincando os dentes
um colo pra voltar
e um sonho pra se correr atrás
algo que realmente valha a pena, a vida
por que definitivamente 
é preciso
sonhar
pra não morrer seco pagando um monte de carnê das casas bahia


:

25.12.12

a sua paz
invadiu
o coração da casa
e o aquário,
um peixe e sua foto
um peixe que 
bate um coração ali dentro, eu sei
o peixe e a foto na cabeceira
é a certeza de que, sim, você ta aqui comigo 
no meu mar de pensar e nunca esquecer
a serenidade do nadar
a serenidade do adormecer
sereno amor 
saudoso amor
sereno agora
as vezes não





23.12.12

mãe ota
minha outra mãe
minha vó
inácia
peguei emprestado tudo que você ensinou
peguei emprestado a quietude e a palavra na hora certa
peguei emprestado sua doçura
peguei emprestado o gosto por tapioca, mungunzá e café com leite
só ela sabia a medida exata, o tanto de café e o tanto de leite
peguei emprestada a sabedoria, o olho no olho
peguei emprestado toda a dignidade, os valores e o apego a família
peguei emprestada a alegria, o bom humor e o sorriso tímido
peguei emprestado o espanto com o mundo
peguei emprestado seu coração, mãe ota!
ah, peguei emprestado também o seu nome
pro meu filho
pra de alguma forma de alguma forma de alguma forma
dizer o quanto te amo e te admiro.
vai em paz minha velhinha.
saudade muito grande no meu peito.
dificilmente ela sorria em fotos. mas esse dia ela sorriu.
é essa imagem que levo pra mim.
seu sorriso mãe ota
minha mãe ota.




18.12.12



PEIXE BETA



em algum momento na vida sonhou que era um peixe grande.
tubarão, quem sabe
eram sonhos bons, imaginar aquela liberdade do fundo do mar
eram sonhos e mais sonhos até que viu procurando nemo
não sonhou mais com peixes desde então
passou a sonhar com pássaros e céus
eram sonhos bons, imaginar aquela liberdade do azul sem rédeas 
até que acordou suado, inquieto
 alguém jogava alimento 
ele estava morto de fome
uma bolinha, depois outra bolinha e mais bolinhas
 que ele comeu de pronto, total de cinco
cessou o alimento e pronto 
agora sim o peixe beta ja podia começar o seu dia 
submerso na solidão do pequeno aquário



25.11.12

 me dá a possibilidade de ajudar o mundo a melhorar. Quero dar minha parte. É algo que vou descobrir à medida que vou fazendo e que já está em mim desde pequeno. Neste minuto estou preocupado em fazer o Botafogo chegar em quinto no Brasileiro, seu melhor resultado em 17 anos. Mas estou torcendo pelo Corínthians no mundial. Não sou do tipo de torcer contra ninguém. Na final, pelo Milan, fui aplaudido pela torcida do Barcelona tendo jogado pelo Real Madrid. É esse espírito que levo para a vida, o da construção, não o da destruição, esteja eu no Botafogo ou em outro lugar. Quero para o Botafogo o que quero para o futebol brasileiro. Quero para mim o que quero para todos. É preciso parar de só olhar para o passado. O menino que quer jogar o jogo da vida tem que se inspirar em quem faz a história hoje, respeitando o passado, mas vivendo o presente. Ele não pode ficar com os olhos pregados só no que aconteceu há 40 anos. Uma divisão de base vitoriosa pode servir de exemplo tanto quanto um grande ídolo internacional. Todos fazem, sempre, história.



clarence seedorf



28.10.12

sobre três irmãs


Tonight, we are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter
Than the sun





há de se sujar com as palavras
se mover pelas palavras
falar o que não tem mais como segurar
na boca
como quem respira após ter se afogado
há de se sujar com a vida
se mover pela vida
como quem cava um monte de merda
procurando um sentido qualquer pra ser

há de sobreviver numa casa em chamas aquele que souber calar mais.





23.8.12

eu sou o meu filho chorando com dor de barriga
trinta e nove de febre e eu tendo que dizer sim e não
eu sou o futuro
eu sou a débora
eu sou a minha mãe
sou meu pai, meu irmão e meus primos
eu sou meus tios e tias. sou meu flusão no maraca. sou meu gol em cima do Boqueirão! Sou o marcelo maluco me abraçando. sou a torcida gritando nense!
sou o interiror.
eu sou a minha avó
sou o a seca que não vivi
sou o nordeste esquecido
sou um gol de barriga num domingo chuvoso
sou o seu marcelo me escalando no segundo tempo
sou o silencio sepulcral de uma derrota nos penaltis
eu sou a pulga atrás da orelha
sou pedra, sou terra, sou água e vento. fogo também!
sou o futuro do meu filho
sou o agora e o amanhã
sou o choro de um bebê sozinho
sou o retirante que venceu
sou o elástico do rivelino no alcir
sou a bala queimando na pele do andy
sou um olho azul. sou uma música do aladim.
sou pedra. sou pai. sou pequeno. sou filho e sagitariano
sou a bola na trave
sou madureira no calor do verão.
sou tuiuti e euclides da cunha. fonseca teles e são cristóvão
 sou filho de dimas. filho de mãe ota
sou filho de gildete, bebé e  do mundo.
sou a evolução da espécie que permanece
inerte.
sou o que observa.
sou um chute pro gol.
sou
bobo e infantil e também não
não sou nada
nunca serei nada.
a parte isso tenho em mim
todos os sonhos do mundo, querido
 fernando.


:

27.3.12

as coisas mais bonitas do mundo acontecem quando a gente tá olhando pro outro lado.
se vira.




:

23.3.12

chorei sem saber o motivo.
só chorei. águas, rios inteiros, chorei.
solucei me perguntando o porque.
chorei e não sabia chorar.
chorei tanto, me afoguei no meu mar de nós. chorei muito.
e parei de me perguntar porque. só chorei. chorei mais.
uma angustia aqui dentro. e a vontade de gritar,
só chorei. tive medo de gritar. chorei só.
sem platéia. sem compaixão. só.
e depois melhorei. desafogado.
respirando melhor. mais leve.renovado. sem perguntas. só chorei. investi no
choro.
melhor que armazenar esses nós cegos no peito.



- testemunho  de um cortador de cebolas




:

6.3.12

cena 3 começa azul, num clima amistoso. ao passar do tempo a cena vai ganhando contornos amarelados causando com isso uma desconfiança no ar. dois atores e uma atriz. a atriz veste calça verde, blusa de algodao branca, simples, usa um all star branco e tem sonhado muito com tubarões.
 um dos atores gosta secretamente da atriz. um dos atores veste camisa goiaba com psico killer escrito em amarelo. abaixo desenho do mickey escrita em courrier 17 amarelo. por acaso- por esses acasos que são inexplicáveis, (os pequenos milagres), por isso e só por isso é que estavam ali naquela sala-
dois atores e uma atriz.
a luz que entrou da direita ofuscou a visão de um dos atores que logo defendeu seus olhos. alguém disse alguma coisa. luz vai caindo em resistência até que fique bem fraca. amarela. um dos atores tem uma carta na mão.(pausa) a cena terminará diferente do que voce imagina.




...
duas linhas dramatúrgicas que andam paralelas, não se cruzam e não se relacionam aparentemente. Pelas tantas as duas linhas se cruzam criando um atrito ali gerando uma terceira linha dramatúrgica surpreendente. dois atores e uma atriz. cena quatro acabou deixando uma porta aberta. Começo da cena 5 em silêncio.








:
palavras chave pra começo de semana: perseverança, foco,  pós dramático, editais e afeto.





:

eu?

Minha foto
to correndo.sempre pressa.meio atrasado.ligação perdida.olhar atento.desculpa o atraso.to indo embora.quer carona?aqui desse lado,aqui..assim mesmo.meu fluminense e meus desejos.um beijo do seu.eu aqui em qualquer lugar aqui, espaço pra vazão a idéias. ficção criando uma verdade pseudo pessoal. "eu quero uma verdade inventada"

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