divagações concretas concretudes abstratas

e um copo vazio está
cheio de ar

26.5.09

o olhar dela,bambeia as pernas.
a indecisão dela, comove o não saber.
esse sorriso largo que ela tem,puxa o tapete e o chão.paixão
o beijo dela,da gente,não sei.
dificil,uma analogia pra essa coisa que não se dá nome,não
tem.
isso,o beijo dela.
analogia de uma coisa indizível e incontável.







:

22.5.09


bundão


depois de uns tempos de trabalho arduo, hoje quis andar de bicicleta. deu vontade de ir ao cinema.barata ribeiro na contra mão, numa sexta feira as quatro da tarde mais ou menos.um carro encostado na calçada me impediu de passar, resolvi fazer uma coisa que abomino, que realmente não gosto nem um pouco. trafegar pela calçada.copacabana movimentadissima, eu com minha bicicleta tamanho G, com freio contra pedal e adesivo do bailinho.uma senhora bem senhorinha,saindo do portão de casa, ficou indecisa por que lado dela eu passaria.ela titubiou, eu titubiei.eu com a bicicleta e ela a pé. desviei dela com algum sacrificio e ela se esquivou de mim com muuuuito sacrificio. passei por ela e tive de ouvir em alto em bom som pra toda copacabana ouvir: O BUNDÃO,VAI ANDAR PRA LÁ!
quis olhar pra tras,pedir desculpas, falar que não sou o bundão que sempre faz isso.mas não, segui meu caminho com cara de bundão.até agora fiquei me martelando querendo achar a boa velhinha em copa pra pedir desculpa.
resolvi escrever:desculpa.
ah, e não fui ao ao cinema. voltei pra casa e fiquei pensando no

bundão que eu fui, sou, vou ser o sei la o que.

tive meu pedaço babaca exposto, pra mim mesmo, explicitamente no meio de uma sexta feira na barata ribeiro.

por que todos temos nossos fragmentos.todos temos.temos.



:

19.5.09

e de repente a gente se olha as três da manhã,
som e gravações de cd no computador a lado, na cadeira ao lado. rodrigo entre cigarros, ipod, telefone, radio e musicas.
uma duvida me belisca: por que cortar todo esse papel?por que esse investimento de
grana,tempo,ideias,tesoura e fita crepe?por que?pra quem?quem é que lê?
as pessas vem pro baile pra dançar,pra se divertir, não vão gastar tempo prestando atenção em uma frase escrita num papel colado com fita crepe.
pois bem, eis o fato no ultimo baile paulista:
eu terminava de mijar e ouvi a seguinte cena.um cara relativamente bebado ao amigo lendo um papel colado no banheiro:
- com essa poesia aqui você come qualquer mulher.qualquer uma.lê isso aqui, vê se não é...
- deixa eu ver.(PAUSA)é verdade, come mesmo!

passei pelos dois, lavei as mãos e voltei com meu bloco-correio pro meio da pista.
era uma poesia minha.
saí do banheiro,sorriso pequeno,dever cumprido e perguntas respondidas.
porque a arte, querendo ou não, é isso:máximo esforço X minimo resultado.
e não vejo outro nome pra essa festa e é isso que a gente tenta fazer,
arte!
e o baile segue!




"...
e ai me entorpecer de você,
divagar sorrindo na névoa
desse ópio que é o teu beijo"


:
tenha fé
e tenha medo






:

11.5.09

concertos pra casal dentro do carro
achar um ritmo,uma pulsação,modular a voz.use o volante como percussão.


I
um blues pra ela dizer não

ela não quer
ela não quer
ela não quer(esticando bem o quer)
ela não quer.

harumaki de legumes, ela não quer
missoshiro bem quentinho, ela não quer
aquele broto de bambu,(pausa)nirá, ela não quer

shimeji,shitake,sunomono,ela não quer
sashimis: metade salmão metade atum,ela não quer
sashimi de camarão,ela não quer,
até hot philadelphia,porra!,ela não quer

ela não quer
ela não quer e me diz: i dont care.
ela não quer.




II
21:57

ela pegou a melhor vaga da minha rua
ela pegou a melhor vaga da minha rua
ela pegou -sem pudor- a melhor vaga da minha rua!

(pra cantar com voz acaubyzada)
nem me olhou
me passou
me fechou
me flechou

eu olhei
e entrei
me perdi no
olhar e

(volta a voz normal)
ela pegou a melhor vaga da minha rua
ela pegou a melhor vaga da minha rua
ela pegou -sem pudor- a melhor vaga da minha rua!
ela pegou,sem pudor,e que linda,a melhor vaga da minha rua.




:

4.5.09

por que os mesmos sonhos e não outros[interrogação]
a tradição só existe pra se esvair como sonrisal limão no copo dagua[ponto]
mutaveis todos.mutaveis nós[virgula]
mutáveis e incompreendidos[ponto]
esperando que a resposta vá nos cair no colo, tal qual nossos
parentes distantes esperaram[ponto]
pra ver depois,quando o tempo for realmente relevante, que poderia ter feito
tudo de outro jeito,com outra pegada, outro aproach[ponto]
e só lÁ na frente é que podemos usar óculos[interrogação]
me dá esses óculos agora[exclamação]tem uma coisa piscando na minha frente[ponto]
alguem disse que era um vagalume[ponto]
não[virgula]
é o outro mundo.use óculos[pausa]

:
diario da bordo.
não lembra se dia 223 ou 345

faltou luz. teve de acender uma vela









:

salve ele,
tom zé
:

28.4.09

frio,
o mundo ta rodando e não é metáfora
e eu quadrado.
os carros acelerando forte e isso é uma metáfora
e eu quadrado.

enquadrado de corpo e olhos.alma e pele.cheiro e tesão
enquadrado de o mundo no meu quarto e sala
enquadrado de muito do silêncio que a gente não escuta a noite
enquadrado como uma obra.
obra
com derme, epiderme e corte profundo
fluida,sincera,real e totalmente
surreal
obra viva.obra de pé descalço correndo na orla
puta que pariu,
totalmente enquadrado e
amarradão


é


:

23.4.09

eles estão chegando em um restaurante, acabaram de brigar.ele discordou dela em um assunto de trabalho.eles sentam, cada um pega o seu cardápio e pensam o que vão comer.ele pensa:esse galetinho a campanha.ela pensa:esse galetinho a francesa.

Ele diz:vamos comer o que?
Ela diz:não sei.o que você quer comer?
Ele pensa:galeto a campanha.
Ele diz:você que sabe.
Ela diz: galeto?
Ele diz:galeto.
Ela diz:galeto com o que?
Ele pensa:a campanha
Ele diz:você que sabe.
Ela diz:e esse galeto a francesa,será que é bom?
Ele pensa:merda!
Ele diz:é.deve ser.tem a campanha também.
Ela pensa: argh
Ela diz fazendo uma careta:ai,a campanha é ruim.
Ele sem graça diz:pede a francesa então aí.
Ela diz:não quer a francesa?quer a campanha?
Ele diz:não, com a cara feia que você fez aí.deve ser muito nojento o galeto a campanha daqui.
Ela:não,eu tava brincando.pede então a campanha.pede aí.
Ele pensa calado:puta que pariu.
Ela diz: pede a campanha aí.
Ele diz:não, não quero a campanha.
Ela diz:ai, pára de melindrezinho bobo, mocinho..
Ele estoura e diz quase gritando: eu não quero a campanha.

ela levanta pega a mochila e sai deixando a cadeira cair no chão.ele continua na mesma posição de antes.pede um galeto a campanha. Tempo em que nada acontece. entra um garçom trazendo a comida.

Garçon:bom apetite.
Ele:obrigado.traz uma coca,por favor.
Garçon:normal ou light?
Ele:normal.
Garçon:e temos a zero também.
Ele de forma mais ríspida:normal.

O garçon sai.
Ele se serve de arroz,feijão,farofa,uma asa,uma coxa e um pedaço de tomate.
Começa a comer.

Entra o garçon:sua coca cola(irônico)normal
O garçon sai.

Ele começa a comer.tempo comendo.ela volta, senta na cadeira, acomoda a mochila em outra cadeira,arruma os talheres e se serve de uma coxa e uma asa.e um tomate.os dois comem em silencio e sem se olhar em nenhum momento.
Tempo.
ela:posso pedir a conta?
Ele:pode.
Ela:não quer café?
Ele:não.
Pausa

Ele chama o garçom pra pedir a conta.
pano rápido

:

14.4.09

o senhor perfeito
por que o crescimento se dá na imperfeição


agora ele,
com o cabelo devidamente penteado,
a camisa azul, passada impecavelmente pra dentro da calça.
sapatos lustrosissímos combinando com o cinto de couro sintético.
ele fala piadinhas engraçadas,ele tem esposa, filhos,uma familia feliz e sorridente com direito a cachorro e papagaio. o papagaio ele teve de doar pra uma tia que mora em irajá, por que o bicho é protegido pelo ibama.
ele tem os dentes branquissimos e sorrisos sempre a postos pra mais uma foto pro Globo.
nunca traiu a mulher, é católico não muito presente na igreja,torce pelo flamengo, que é o time da maioria, condena o aborto,não bebe e nunca usou drogas. vai a todos os programas de televisão chamando todos os apresentadores pelo primeiro nome e com coloquialidade forçada,porém sem nunca errar o português.se veste sempre com cores neutras pouco chamativas, por que diz que não quer chamar a atenção.
ei-lo, senhoras e senhores,o senhor perfeito!
sempre tive um pouco de pé atrás com esse seres muito perfeitos.os herois de plástico dos nossos tempos que a gente tem de engolir a seco goela a baixo.
perfeição demais me soa um ser humano-fraude.
o populismo e uma aparente perfeição escondem em algum lugar fantasmas,furstrações e buracos imensos.
ele, o senhor perfeito
agora decide murar as favelas, ele alega que com isso vai combater a devastação da area verde e assim diminuir o crescimento da favela.
a falencia total do estado. o nosso plastificado e perfeito prefeito assume a impossibilidade e a passividade do Estado diante do braço forte,armado e as costas quentes do crime organizado.
impossibilidade de uma simples fiscalização de construções como acontece com qualquer outro cidadão não favelado que queira construir na cidade.
o senhor perfeito se gaba de, como ele mesmo gosta de dizer, ter pacificado o santa marta(ou dona, como queiram) com o braço forte do poder publico e assume que a policia ou quem quer que seja não pode garantir essa fiscalização. por que senhor perfeito?
o senhor perfeito que tem a paz no nome quer trazer pra cá o muro de berlim cercando e segregando a favela, ou para ser politicamente correto,como ele gosta de ser, a comunidade carente.

senhor perfeito,segregar, separar,isolar não combina em nada com o seu belo cabelinho tão
perfeitamente penteado.


fragmento da música senhas
adriana calcanhoto

"aguento até os modernos e seus segundos cadernos
eu aguento até os caretas e suas verdades perfeitas
eu aguento até os estetas
eu não julgo a competência
eu não ligo para etiqueta
eu aplaudo rebeldias
eu respeito tiranias
eu compreendo piedades
eu não condeno mentiras
eu não condeno vaidades
eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos que secam de desejo.
Dos que ardem"





:

28.3.09

roy lichtenstein
coisa dificil mesmo é crescer
dificil esconder as asas
dificil de fato é levantar da cama na chuva
dificil cantar parabens pra você sem ficar sem graça
dificil pagar o ipva,iptu,agua,luz e net
dificil ver que as horas passam sim
dificil cortar o cordão umbilical
dificil largar a lata de linha dez
dificil não pensar naquela bola cruzada na area que você
dificilmente não tocaria pra dentro
dificil desapego do próprio queixo
dificil

dificil mundo,o dos adultos
mas o escuro da caverna instiga mais do que a luz do lado de fora



:

27.3.09

a natureza é coisa de louco
é sim]
o desconhecido é coisa de gente curiosa maluca
é sim]
o pai que indica o caminho e você vai ao contrário
é preciso viver
é sim]
a descoberta é o ouro que se leva na mochila
é sim]
viver é um enterno salto na cama elástica
e não é não]





:

25.3.09

fast food.quiche de alho poró lambuzado com o sangue da picanha.alface crespa banhada no molho de alcaparras de um pedaço de salmão(e por gentileza:salmão,não salmon).azeite,sal,pimenta do reino e três ou quatro cebolas daquelas de conserva,pequenas.
o suco de laranja que chega na trigésima terceira mastigada.açucar,dois sachês(saudade dos açucareiros grandes de padaria, com pequenas formigas no fundo).a alcatra ta bunita, um pdeaço e mais um.o coração tá cru ainda.cruzar o talher,deu.um café, mais dois sachês de açúcar.biscoitinho amanteigado,sem recheio de goiaba.dezesseis e trinta e quatro.cartão de débito.obrigado.



:

eu?

Minha foto
to correndo.sempre pressa.meio atrasado.ligação perdida.olhar atento.desculpa o atraso.to indo embora.quer carona?aqui desse lado,aqui..assim mesmo.meu fluminense e meus desejos.um beijo do seu.eu aqui em qualquer lugar aqui, espaço pra vazão a idéias. ficção criando uma verdade pseudo pessoal. "eu quero uma verdade inventada"

leia me

outras divagações


[alter]ego marginal

quantas?

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