divagações concretas concretudes abstratas

e um copo vazio está
cheio de ar

4.10.08

variações do será


IX.do cabelo

ainda aquele na foto de cabelo grande?
aquela ingênuidade e uma chuteira nova,amarela
e a mesma vontade de gritar!








:
banho frio por que esse chuveiro, num sei não
água quente queimando a língua
A língua!
rir sem ter hora pra voltar
um imã daqueles do desenho do pica pau
aquela uva boa,sem caroço
queimada,essa carta de intenções:
contrato não assinado,firma reconhecida e duas testemunhas
jogou fora a teoria
rasgados, todos os livros de geografia
permitiu se esquecer de querer
qualquer explicação: técnicas e filosofias de quadro negro,decoradas
um tiranossauro rex com fome,tenha medo!




por que tem coisas que são maiores q isso






1313

2.10.08

uma pena
tomou o lugar
uma apenas
uma pena e não era de bicho
pombo,galinha, pavão, sei lá,não era
é uma pena e
veio devagar, planando que nem asa delta
lenta e absoluta
pousou sossego aqui no peito
pousou serenidade no telefone
calma nos olhos e pernas bambas
uma pena mesmo,isso
abriu uma caixa pequena enferrujada
uma pena,é
veio sabe-se lá de onde,sabe lá quem mandou
e assim abriu a porta, deixou entrar
um sopro de vento encanado pra enfim
respirar só e sem pena
só e sem pena
só e sem pena
só e sem pena
só apenas e fim





3120
um caleidoscópio de óculos de grau


o frango de padaria e a espera
um senhor gordo e uma senhora de batom
um cachorro passando
uma senhora de uniforme
um atendente nordestino
um camelô angolano
uma rua sem carros
tempo parado e céu cinza
uma guarda municipal e o bloco de multas
um menino comprou um pião de madeira
caleidoscópio atemporal
cortiça de quarto de menina
fauna e flora exuberantes
compro e vendo ouro
uma mulher linda liga pro amante
tensão,atenção e tesão
calendário de provas
filme antigo num cinema vazio





459

1.10.08

o futuro quase ali
(quando esse tal pra sempre durava mais de dez minutos)





ouvia histórias de casamentos de trinta, quarenta anos
via avôs e vovós de braço dado indo ao cinema nas tardes ensolaradas em copa
tinha notícia de amores eternos e quase ria-se disso
no museu, múmias de um casal que se amou até a morte.enterrados juntos
quando chovia, murmuravam ao pé do ouvido juras de pra sempre - as paredes do quarto
ouvia coisas quando caía a noite e tinha medo
lia nos livros, nas enciclopédias e nos sites de busca essas coisas do passado
comentava rindo com suas três mulheres:
- olha como era antigamente. comé que pode né?





:


30.9.08

DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA DEUS EX MACHINA DEUSEXMACHINA DEUS EX MACHINA
DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUSEX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUSEX MACHINADEUS EX CHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUSEX MACHINADEUS EX MACHINA
DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
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DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
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DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
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DEUS EX MACDEUS HINADEUSEX MACHINA DEUS EX MACHINA DEUSEX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA DEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINADEUS EX MACHINA
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29.9.08

Poeminha a gaúcha


ela é
essa menina
uma maria
dona guria
e
a mania que aparece de
não viver sem esse beijo
enchendo a vida de magia
um pouco de agonia
um muito de alegria
um tanto de tudo

que as vezes não rima
.
vontade de te apertar
apertar,sabe? apertar!
depois fumar você,inteira
e aí me entorpecer de você
divagar sorrindo na névoa
desse ópio que é o teu beijo




_nostalgia

28.9.08

um clichê pra lembrar de mim:uma música pra ouvir se a saudade insistir.uma música pra ouvir quando chover.um filme pra lembrar que.um dia.um pedacinho de nada sem açúcar. um vídeo babaca de quem era o.uma música pra rir e debochar.uma carta sem assinatura.uma borracha azul e vermelha.um soluço que não sai.um grito que emudeceu.um soco na boca do estômago.a boca seca.o frio na barriga de esperar. uma mentira de verdade. um livro sem a primeira página. a volta de um lugar qualquer.isso que tá acontecendo agora,isso.essa vontade de não saber mais.essa folha do caderno voando. uma música pra jogar fora depois.uma parte do meu gozo.o berro na janela,um palavrão.um vídeo pra lembrar dos meus escritos.um vídeo pra desistir de insistir. uma golfada de idéias.um trago no cigarro.uma ferida com pus e sangue.a primeira pessoa.o último capítulo.um celular sem bateria e sem mensagens. um poeta sem inspiração.o pneu da bicicleta da academia.a vontade de matar a anacarolina.queijo quente e café com adoçante. carne crua.um filme pra vida inteira.as letras vão subindo. o fim se faz necessário.essa vontade incontida de chorar.o orgulho de não deixar.um dia de sol na guerra.and so it is.um amor de clichês.todas as cartas rasgadas.um boné verde.o peixe que não quer ser comido de pauzinho.pimenta,raiz forte e tesão. todos as madrugadas insones. todas as músicas do chico.uma coisa que não tem nome. que foi foda. essa saudade que bate na porta do teu quarto.essa cama fria. esse beijo incompleto. uma volta do ponteiro. um cachorro fudendo uma almofada. o suor frio. a alergia.a dor.uma música pra ficar.uma laranja cor de tangerina.e caiu do pé.ficou cinza.um pedido de desculpa.uma carta de adeus.

começo a conhecer-me.não existo.
sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo,porque também há vida...
sou isso enfim...
apague a luz,feche a porta e deixe de ter barulho de chinelos no corredor
fique eu no quarto só com o grande vazio de mim mesmo.
é um universo barato.


fernando pessoa.



:
uma palavra
suja
a palavra caída
na sarjeta
a palavra escarrada,
fraturada
a palavra pingando
sangue,suor e saliva
a palavra que retorna
ao fundo do poço
a palavra que ficou velha e
renasceu
a palavra que
não completa a frase
quando criança,ouvia os adultos falarem que viver era uma coisa muito difícil
e na minha peraltice(adoro essa palavra)infantil,
entre uma bola cruzada e um polícia e ladrão
achava que não seria possível aquilo:
- viver é difícil ?né nada. toca a bola jason, porra!

corta

em casa vendo um filme, a idade chegou de repente
nem bateu na porta, saiu entrando e disse trinta
o tempo passou e numa chuva cinza
chorava copiosamente. e não era pelo filme
sem saber o motivo,
entre soluços sós, falava baixinho ao travesseiro:
- difícil essa vida. e por que ?
por que ?





0088
_
e assim criou-se novo verbo
de um jeito que não se pode expressar
com toda propriedade de já querer uma borracha
obsoleta se não tem lápis
então aperta o botão e segura:


deletar é o verbo
adicionar, outro novo
querer é antigo
esquecer se faz preciso
991-é delete mesmo!

27.9.08

tem o eterno
tem infinito
e tem o além dos além

do filme estamira de marcos prado
dos malefícios de lembrar

[quarto de hotel. interior.dia]

- eu vejo de outro jeito
- sempre
- que bom né?
- as vezes
- chato
- chato?
- ja te falei que seus olhos são lindos?
- já
- eu sei,quis repetir
- de que jeito você vê?
- eu tenho facilidade de esquecer.isso é bom.
- tu acha?
- posso te esquecer daqui a cinco minutos
- eu não
- a tua memória te trai,ta vendo?isso é ruim
- eu vejo de outro jeito
- sempre
- chata
- de que jeito você vê?

corta.


[buteco.exterior.noite]

- lembra de mim?
- eu sei que a gente se conhece, só não lembro de onde
- então prazer de novo
- prazer
- a gente se conheceu no bailinho
- é verdade
- você tava de vestido preto.tava linda
- nossa.boa memória hein.eu não lembro como você tava vestido
- você não tem boa memória
- é né? sei lá
- isso não é ruim, é?
- vou pensar sobre isso.seus olhos são lindos
- suas amigas tão te chamando
- a gente ja ta indo.eu falei que seus olhos são lindos
- eu ouvi.fiquei tímido
- ficou ?
- vou pegar mais uma. saidêra
- tá. só mais uma então
- você também
- o que?
- tem os olhos lindos


corta.



:
.conta gotas
(e a vontade de calar)


o poquinho que ainda restava
da coisa que era lancinante
se esvai até na lembrança

aos poucos]

a torneira da pia mal fechada
esse pinga pinga constante aqui no ouvido




desconforto]


toma coragem,levanta da cama,
fecha a torneira e volta a dormir





:
o acaso vai me proteger enquanto eu
andar distraido








:

25.9.08


as vezes invisível
as vezes rinoceronte verde
e pouca sabedoria pra equalizar
:

24.9.08

cuidado pra não cair do trapézio
(e o céu nem sempre está azul)
.
e por mais que eu escreva que não
sempre acho que existem as coisas eternas
me nego a acreditar antes de vivê-las
prefiro acreditar que esse agora pode(e vai) ser diferente
e aí]
o tempo implacável me mostra seu peso:
elefante cinza voando por cima da lona do circo
que nem gaivota que criança desenha em papel branco
a qualquer momento o elefante pode cair?
pior.
a qualquer momento o elefante pode voar pra outro circo
levando a ultrapassada eternidade pra outros céus,
me comprovando meus escritos de descrença e contrariando um bobo romantismo infantil que ainda insisto.
mas o tempo também tem o peso do bem te vi
voando

voando

voando
voa
me fazendo de novo sorrir
e mais uma vez achar que o bem te vi vai cantar afinado
.pra sempre

eu?

Minha foto
to correndo.sempre pressa.meio atrasado.ligação perdida.olhar atento.desculpa o atraso.to indo embora.quer carona?aqui desse lado,aqui..assim mesmo.meu fluminense e meus desejos.um beijo do seu.eu aqui em qualquer lugar aqui, espaço pra vazão a idéias. ficção criando uma verdade pseudo pessoal. "eu quero uma verdade inventada"

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