divagações concretas concretudes abstratas

e um copo vazio está
cheio de ar

11.9.09

acordou meio sonolento,
lançou o braço a procura do corpo dela,
não achou.
ela foi embora, foi comprar cigarro e não volta mais,por um segundo pensou.
ouviu um barulho na cozinha, um copo encontrando o chão.
se tranquilizou, ela preparava o café.





:

7.9.09

a mãe sempre soube



a menina roçou uma perna na outra deixando a mostra uma parte da calcinha. a pequena saia escolar ficava pouca coisa acima da cintura.ela mascava chiclete e olhava de rabo de olho o velho escritor.ele estava sentado escrevendo numa olivetti velha. a menina propositalmente abriu mais as pernas e maliciosamente desabotoou três botões da camisa. o homem viu aquilo e um misto de sentimentos o segurou pelas pernas. o homem levantou, ficou na porta do escritório olhando o espetáculo que se desenhava. caminhou até o corredor que ligava ao outro quarto,em direção a menina. da porta do quarto dela, ele olhava sem saber o que sentia.
decidiu fechar a porta do quarto. ligou pra mãe dela, e se despediu sem dizer o por que da partida.decidiu dar fim ao romance que escrevia. resolveu ir plantar horatliças.
e ainda pelo telefone a mãe não perdoou a menina: lolita sempre apronta dessas.



:
a escolha



não sabiam mais quanto tempo estavam ali.esperavam apenas.
o ocio, a pouca comida e a desesperança consumiam os dois valentes cavaleiros.se serviram de cachaça, brindaram em silêncio.beberam tudo de um gole só.depois disso, o silêncio e a espera.
num rompante de desespero um dos homens levantou e decidiu ir embora.com um grito seco de vitória, escolheu voltar ao lar, com casa, comida e flores no jardim.
desistiu de esperar godot.









:
despedidas

e depois que tudo acabou, a poeira baixou, Chen Te encostou no balcão, pediu uma dose de batida de mel. tomou de um gole só,como se fosse um remédio, fazendo cara feia.permaneceu parada por alguns instantes pensativa.comprou um maço de marlboro, sentou na calçada e chorou.Sun Tzu de dentro do 355,acenou com um lenço do outro lado da pça Tiradentes.






:

crime e castigo



e ai o jovem dinamarquês, ainda desconcertado corre ao quarto da mãe no desepero de não saber o que fazer. tem sangue nas mãos. os olhos estão vermelhos e assustados. ele corre até a ponta da sacada e enfim para.estático.parado como se estivesse enfeitiçado.acendeu um cigarro, ouviu barulho da sirene se aproximando.passou as mãos no rosto,esfregou, transformando o sangue numa espécie de pintura de guerra.a polícia chegou,o cigarro acabou.
ele foi preso, consternado.






;

5.9.09

um pouco de fé não há de te fazer mal
a crença no que a gente não tem certeza, a interrogação máxima da existência,goela abaixo.
e sem resposta.

mas o que há de se fazer com isso tudo
é a interrogação que faz girar o
mundo.

perguntas sem respostas e uma incerteza total.a ainda assim,
definitivamente,
acreditar que sim,não vai fazer mal



:

21.8.09

se um dia tudo acontecesse como nos seus sonhos?
um dia , de manhã o príncipe chegaria e se apresentaria pra você,Entcantado.
quando você achar aquela nota de cinquenta,vai estranhar?
se uma hora dessas você receber flores,ou um picolé?

você dirá,simplistamente,
foi coincidência.
e não foi.
deu muito trabalho trazer esse entregador de flores,
foi um problema conseguir alvará pro cavalo branco do principe tomar as ruas.
pode acreditar,
a produção trabalha pra isso.




:

19.8.09

o impulso é o mesmo
contradiz e não nega nada
o depoimento falso e uma mentira sincera encenada com organicidade
da atriz tomada por uma entidade. canastrão explícito com os olhos umidos de mentira.engano.
a vida dela ali de outra forma, oprimida
comprimida numa bolha,isolada.
só.




:

14.8.09

hoje em dia tudo é
velho muito
rápido

hoje ja foi ontem
e amanhã não demora
a buzinar no sinal

é so o tempo de terminar essa poesia
velha e amarelada que comecei ontem







:

11.8.09

e no meio de um prato de salpicão
ele teve a visão: Quem manda no mundo...é o editor de imagens.
e voltou a comer.











:

9.8.09

medo de
acontecer alguma coisa com você
medo de
deitar na cama e não ter o teu calor pertinho aqui
medo de
correr na orla sem a tua bicicleta no calcanhar
medo de
acordar de manhã e não ter bom dia pra dizer
medo de
fazer o café e não ter a tua caneca verde pra dividir
medo de
não ter com quem brigar de noite pela ponta do endredon
medo de
contar uma piada sem graça e não ter você aqui
pra rir
medo de você sair e nunca mais voltar
...


- tá , eu não vou comprar cigarro.
melancolico
sol que cai

um domingo de agosto
bucolico,

o vento batendo
na janela
é o tempo assoprando aqui


:

7.8.09





por vezes a solidão vem nos beliscar.

e toda solidão é só uma saudade
as vezes boa saudade
as vezes saudade boa que não volta mais,
por isso má
saudade.
ou má
solidão.



e toda solidão é uma espécie de saudade.
:
pequenas palavras
saqueadas de um livro
do leminski

roubo assumido
tresoitão na mão
e perdeu paulão,perdeu

agora que as palavras
são minhas palavras,eu li
e são minhas

pego todas pra mim,
para que, com essa ilustre ajuda, eu
consiga assim
dizer o quanto ela é linda deitada na minha cama.


:

eu?

Minha foto
to correndo.sempre pressa.meio atrasado.ligação perdida.olhar atento.desculpa o atraso.to indo embora.quer carona?aqui desse lado,aqui..assim mesmo.meu fluminense e meus desejos.um beijo do seu.eu aqui em qualquer lugar aqui, espaço pra vazão a idéias. ficção criando uma verdade pseudo pessoal. "eu quero uma verdade inventada"

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[alter]ego marginal

quantas?

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