divagações concretas concretudes abstratas

e um copo vazio está
cheio de ar

8.1.09

memória ram
e todas as voltas da roda gigante





I.prepare-se e admire-se,ainda
(quinta feira,seis de janeiro de 2008,16:56hs)

caminhava com certa displiscencia pela frente do trabalho, esbarrou com o pai. terno e gravata
olharam-se e a vontade dele era dar um puta abraço no pai e calar.chorar.aprendera a chorar também
desejava ensinar o pai a chorar.
queria fazer o pai entender que a fragilidade, a não certeza,a insuficiencia,a fumaça são coisas que podem ser boas também
queria cantar uma música pra ele, sei lá das que ouvira no tempo em que a mãe o ninava:
se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar
queria um mundo inteiro com pai ali, naquela fração de um instante
o pai sisudo, desmentiu tudo:
-o que você quer?
- pai.sou eu
- pai o que cara?ta maluco
-é que.desculpa.você parece com
- da licença, eu tenho de sair. ó,vê se...né.
apagada a memoria do pai contemporaneo.avivada a memória do pai de antes.de antes d'antes
e não sabia ao certo se o pai ainda era o mesmo vilão de suas histórias ou sei la o que
lembrou outra música de ninar,uma marchinha



II .ele só queria correr pro meio da rua e respirar o ar puro de um engarrafamento
(quinta feira, seis de janeiro de 1988,2:58hs)

ele tinha sido criado pra ser médico
ele adorava as músicas do bob dylan
ele sonhava ser piloto de avião
ele sabia que era mentira o papai noel,o pai contou
ele seprava as formigas que matava por cores; vermelhas e pretas
ele começou a pensar na vida aos doze,precoce
ele ouvia rocks e se encantava com as guitarras barulhentas
ele começou a estudar guitarra, o pai não queria.
ele adorava as marchinhas que o pai cantava quando chegava em casa bêbado.soavam como canções pra faze-lo dormir.
ele pensou em estudar piano,o pai não queria e disse não com voz firme,olhos por cima dos óculos: pela última vez!
ele achava que o pai não gostava dele.tantos nãos assim
ele um dia bebeu cerveja.fumou maconha.tomou lsd.conheceu a noite. a vida escondida pelo pai
o mundo de prima, acolheu-o e com um abraço sentenciou: vem conhecer.vem questionar
ele foi,gostou da sensação de não saber. gostou intimamente, mesmo que não falasse do desafio de se abandonar no breu.
tomou de assalto o escuro. conheceu-o com riqueza de detalhes
abriu vazios dentro do peito.
se reconheceu falível, babaca, orgulhuso e infantil
e reconhceu-se entre todas as maravilhas, as cores, os sorrisos, as asas, os mundos, os não mundos, o amor, a falta, o oco, e o bom senso
e se redescobriu outro.redescobriu-se muitos.



III. lembranças de um grito de gol
(domingo,dez de dezembro por volta das cinco horas)

ja não sabia mais como era o pai




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Um comentário:

Michelly Barros disse...

uau
incrível ler isso nesse momento da minha vida.
imagens, memórias, preces e esperança.

um beijo, moço

eu?

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to correndo.sempre pressa.meio atrasado.ligação perdida.olhar atento.desculpa o atraso.to indo embora.quer carona?aqui desse lado,aqui..assim mesmo.meu fluminense e meus desejos.um beijo do seu.eu aqui em qualquer lugar aqui, espaço pra vazão a idéias. ficção criando uma verdade pseudo pessoal. "eu quero uma verdade inventada"

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